Coluna Paulo Ramos Derengoski 08/07/2020

Viagens de um Repórter Uruguai: O Renascer de um Pequeno Grande País

Na "coxilla" de Haedo, nas escarpas de Daymán, no Vale Éden, no Pampa de Tacuarembó, nas planícies de Rivera, nos pantanais de Soriano, nos campos de Maldonado, na beira dos rios de Durazno, nas margens atlânticas de La Paloma - e até nos arredores da capital - florescem os juncais e o "seibo" - árvore de belíssimas flores rosadas que são o símbolo desde pequeno grande país. Para quem atravessa de carro, vastos palmeirais de "butiá" aparecem nos solos arenosos de Paysandú, Rio Negro e Salto...

Pequeno e grande é o Uruguai. Menor que o estado de São Paulo, é no entanto maior que Portugal, Bélgica e muitos outros países europeus.

E também a cidade de Montevideo floresce. Pela "Cale 18 de Julio", a artéria principal, as casas de câmbio tilintam no soar das pratas (e ouros) de todos os países. O câmbio é livre e os dólares, libras voam, na voragem iluminada dos "novos negócios". Os cassinos estão cheios em Punta del Este. Em Carrasco, os casacos de pele das louras platinadas vindas da Argentina se misturam ao cheiro das cigarrilhas dos grandes ganadeiros de Liniers e agora também de Bagé e Araçatura.

Civilizado, com forte influência européia, a atividade pastoril ainda é a mais importante da economia uruguaia. Mais de setenta por cento do seu território são exuberantes pastagens nativas, onde se cria e recria, se engorda e se abate o melhor gado do mundo.

No Uruguai existem quatro bovinos e oito ovinos para cada habitante do país. E são raças finíssimas como as provenientes do condado de Hereford, na Inglaterra. Ou as que vieram da Austrália, como o Merino ou da França, como o Rambouillet. Mas ali ninguém fala em entrega-los, (provavelmente para serem carneados) para legiões de famintos, que assolam a periferia das cidades por culpa de uma péssima distribuição de renda urbana...

Para quem vai a Montevideo, os hotéis são ainda prédios antigos e tradicionais. O melhor é o Victoria Plaza, na Praça Independência, próxima ao tradicional monumento histórico, O London, o Califórnia, o Lancaster, O Criolon, o Oxford, o Richmond, revelam a clássica e tradicional influência europeia.

Uma cidade que se modernizou sem perder sua tranquilidade. Caminhar pela "18 de Julio" e a beber os deliciosos aperitivos de "espiniller" com gelo e miríades de tira-gosto dos inúmeros cafés de estilo europeu que se esparramam ao lado da Universidade.

Comer as deliciosas "parrilladas" à moda uruguaia. São "chinchullines" (tripas recheadas com farinha retiradas do bucho vivo do animal e depois assadas), "molejas", asados, "costillas" - tudo regado a um bom vinho dos parreirais da Canelones e depois supinamente recobertos com pêssegos em calda e nata gorda...

O Rio da Prata é fascinante. Tão largo na altura de Montevidéu que não se consegue ver a outra margem, mas de onde parecem vir, com ecos retardatários, no magnífico por-de-sol, as canções eternas de Carlos Gardel ou a melodia esquizofrênica de Astor Piazzola.



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