Coluna Paulo Ramos Derengoski 21/07/2020

Tradição em jornais

Nos primórdios, a imprensa serrana foi basicamente a imprensa de Lages.

E o primeiro jornal editado em Lages foi "O Lageano", na verdade um micro-jornal de formato 23x33cm, com apenas quatro páginas. O primeiro número circulou em 14 de abril de 1883. Dirigido pelo professor João da Cruz e Silva era um vibrante e pequenino semanário que dedicava seus artigos de fundo à defesa do ensino público, criticando as péssimas estradas da região e exigindo a criação de um Mercado Público, bem como a retirada do cemitério da época do centro da cidade.

Dentre os colaboradores que mais se destacaram com empolgados textos estavam o médico homeopata e futuro desembargador, Genuíno Firmino Vidal Capistrano e João José Theodoro da Costa.

Em quatro de janeiro de 1984 o pequeno semanário foi vendido para Henrique José Siqueira, que acrescentou "mais uma coluna em cada página".

Nessa fase o grande colaborador seria o Acadêmico de Direito, "nosso correspondente em São Paulo" Caetano José da Costa, que entre reportagens memoráveis, descreveu a visita à bandeirante capital de dois mandachuvas lageanos: os Coronéis Belisário de Oliveira Ramos e Henrique de Oliveira Ramos, que conferenciaram com o chefe da democracia paulista Dr. Rangel Pestana e foram à Opera, assistir "A Corsa do Bosque".

Com a proclamação da República, "O Lageano" deixou de circular por algum tempo. Não que ele fosse monarquista. Ao contrário, mudou o nome para "Quinze de Novembro". Mesmo assim o seu proprietário, Henrique José Siqueira, seria fuzilado barbaramente em 1893. O saudoso pequenino "O Lageano" voltaria a circular em 1891 pelas mãos de João Costa, Belizário permanentes de alto nível, como Otacílio Costa. Excelente crônicas sobre a história de Lages começaram a ser publicadas no "Planalto".

Nesse período em que a imprensa serrana se profissionalizava, não deixavam de publicar alguns jornais nanicos; todos de vida breve e feliz: - "A Coruja", "O Dunguinha", "A Marreta", etc. Geralmente tinham apenas quatro páginas e tiragem variável, maior no verão, menor no inverno. Até o distrito lageano do Painel (hoje município) teve um jornal semi-manuscrito "O Painelense" de 1917, O Centro Civico Cruz e Souza, entidade que congregava basicamente representantes da raça negra também editou por breve período "O Cruz e Sousa".

Com o acirramento das lutas políticas, com o advento do tenentismo no Sul do Brasil, novos jornais surgiam e desapareciam do dia para a noite. Quase todos eram semanários. Ou, como preferiam se auto intitular: "Hebdomadários".



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