Participantes de audiência são unânimes: só com políticas públicas eficientes o paradesporto se desenvolve em Lages

lém dos componentes da mesa e dos vereadores, duas pessoas da comunidade expuseram suas opiniões sobre o assunto

Foto: Eduarda de Liz (Câmara de Lages)


  "Paradesporto, município ativo, inclusão garantida", o nome pode parecer cheio de pompas, mas o objetivo é claro e deveria ser mais simples do que aparenta: garantir políticas públicas municipais para que o paradesporto possa evoluir em Lages e que as pessoas com deficiência se sintam cada vez mais inseridas no convívio social através do importante vetor do esporte. 

Vereadores proponentes, Bruno Hartmann (PSDB) e Amarildo Farias (PT), junto dos colegas Jair Junior (PSD), Lucas Neves (Progressistas), Mauricio Batalha (Cidadania) e Osni Freitas (PDT), receberam atletas, diretores de associações paradesportivas e representantes do Poder Executivo municipal para encontrar soluções que viabilizem tal demanda. "Trouxemos as autoridades do município para gente debater os incentivos e as ações que venham em prol dos paratletas. É rotineiro as pessoas pedirem contribuições em nossos gabinetes para poderem viajar, competir. Temos atletas paraolímpicos, medalhistas mundiais e este pessoal precisa de todo o incentivo", externou Bruno Hartmann.

"Precisamos de uma politica pública para a área, porque ajudamos como podemos para que os atletas possam competir, mas a criação de um mecanismo desses é o caminho, é a união, independente das ideologias. Ainda dá tempo e no que for possível fazer em um ano e meio, é possível sim. (...) Não podemos desistir de acreditar que em um próximo encaminhamento a gente possa comemorar essas conquistas", reforçou Amarildo Farias.

Além dos componentes da mesa e dos vereadores, duas pessoas da comunidade expuseram suas opiniões sobre o assunto. Vice-presidente da Associação Esportiva e Paradesportiva de Lages (Assesp), Adriana dos Santos reclamou da falta de apoio do poder público em relação ao transporte para as competições. "Temos atletas campeões, recordistas, que precisam tirar dinheiro do bolso para viajar". O professor Eder Magno dos Santos agradeceu a iniciativa da audiência e solicitou uma política pública efetiva para que os paratletas de destaque não tenham de ir embora de Lages para poderem continuar competindo.

Atletas precisam tirar dinheiro do bolso para competir, situação que políticas públicas voltadas à área podem sanar

Paratleta do atletismo, Alan Carvalho da Mota contou que os desportistas precisam fazer rifas e pedágios nas ruas para arrecadar fundos a fim de competir fora de Lages. "É complicado porque temos atletas de alto nível, convocados para a seleção brasileira, catarinense. Professores que correm atrás para facilitar nossa vida dentro do esporte. (...) Precisamos conversar, se ajudar, porque isso é muito importante para nós", disse.

Cinco vezes campeã-geral no atletismo dos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc), três vezes campeã no xadrez, conquistas e recordes mundiais, feitos enumerados pelo atleta e diretor de Esportes da Associação Serrana dos Deficientes Físicos (Asdef), Thiago Ribeiro de Bona Sartor e que demonstram que Lages já foi uma potência no paradesporto. "O pessoal olha a bandeira de Lages e tem um grande respeito nas competições, mas a cada ano o apoio vem diminuindo sem o investimento para o futuro de novos atletas. (...) Chegamos num nível que o paradesporto não tem como evoluir", lamenta Sartor.

Ele cobrou mecanismos do poder público, como a realização de um Parajocol que possa incentivar a prática desportiva aos deficientes e revelar novos talentos para o município. A promoção de eventos dessa natureza, segundo Sartor, pode fazer com que mais competidores possam requerer o Bolsa-Atleta, uma vez que um dos requisitos é a participação em, pelo menos, três competições no ano. O valor da bolsa é, em média, R$ 100 por mês. "Se não tiver providências e investimento, infelizmente, o paradesporto vai morrer em Lages", alertou o atleta.

Presidente da Assesp, João Claudio Zanatta reivindicou dos vereadores a cobrança para que a Prefeitura lance os editais de remuneração dos treinadores esportivos no município. "A hora que esse projeto for pra frente, vamos ter condições de contratar profissionais de categoria, pois hoje eles fazem por amor à causa". Ele também pediu apoio da Fundação Municipal de Esportes quanto à estrutura para o setor se fortalecer em Lages, como a disponibilização de um centro voltado às atividades paradesportivas e projetos que possam envolver as famílias dos atletas, que tragam um benefício social e humano a estas pessoas.

               A inclusão e integração social de atletas e familiares foi o principal ponto abordado pelo presidente do Conselho Municipal de Esportes, Tyrone Machado. "O esporte é o grande chamarisco para incluir, propor uma rotina de socialização para com a comunidade. Investir no paradesporto também é uma questão de assistência social", argumentou o desportista, que lembra que 24% da população brasileira declara possuir alguma deficiência. "Onde estão estas outras pessoas?", ele indaga.

               Machado também pontuou a necessidade do município investir na questão estrutural do esporte, como a aquisição de equipamentos e materiais de treino específicos, além de um centro de treinamento desportivo que possa agregar as diferentes associações da área. Destacou ainda o dever do poder público em garantir acessibilidade aos deficientes para que estes possam se locomover com dignidade pelo município. "Não é uma crítica com a intenção de diminuir o trabalho que está sendo feito, sabemos da dificuldade financeira do país todo, mas precisamos pensar em mecanismos para que isso aconteça. A saída é a construção de uma política pública permanente, independente do prefeito que lá estiver, que estimule o esporte e, principalmente, o paradesporto nas escolas. O incentivo ao esporte não é um favor que o poder público faz, é um direito do cidadão.", apontou.

Poder Executivo ouviu as demandas e promete trabalho para sanar as necessidades da área

O educador físico em programas sociais da Prefeitura, Felipe Diego Freitas, acredita que o município pode fazer adequações no Bolsa-Atleta, como a diminuição da idade mínima necessária para obtenção do benefício. Segundo ele, Lages investe R$ 180 mil no ano com esta modalidade, sendo que 30 a 40% deste percentual é destinado aos paratletas. Ele concorda com a proposta de um centro de formação de atletas e garante que a FME pode ceder salas e computadores a qualquer momento para os atletas e associações interessadas em elaborar projetos relacionados ao paradesporto. "Local não falta, a questão é se organizar e fazer acontecer", afirma.

Há pouco mais de 40 dias como superintendente da Fundação Municipal de Esportes, Renatinho Junior também tomou parte das discussões. Ele se comprometeu a reunir-se com atletas e dirigentes das associações para averiguar as principais demandas no paradesporto, como o transporte, a infraestrutura e as adequações no Bolsa-Atleta. "Isso é o mínimo que um superintendente pode fazer", afirmou.

Ele reforçou a intenção de promover novamente o Parajocol, após quatro anos de inatividade. "No próximo mês, vou sentar com a equipe para discutir o Parajocol, não para ser um evento para tirar foto, mas que funcione mesmo. Se acontecer, vai ser para o bem do paradesporto de Lages. Estou a disposição e tenho humildade para reconhecer que temos muito para aprender. Meu compromisso é que a bandeira de Lages seja cada vez mais respeitada", finalizou.


Texto: Everton Gregório - Jornalista



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